O Banco Central está atuando em parceria com o governo federal para conter fintechs envolvidas com plataformas ilegais de apostas. A informação foi dada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na última segunda-feira (21), em entrevista concedida em Brasília.
Segundo Haddad, após um período inicial dedicado à regulamentação e à coleta de dados, a equipe econômica do ministério irá apresentar ao presidente Lula um relatório com propostas para combater sites e plataformas de apostas que operam fora da legalidade.
As ações planejadas não se restringem apenas às fintechs e ao mercado ilegal. De acordo com o ministro, o mercado regulado também será alvo de medidas mais rígidas — especialmente no que diz respeito à publicidade. As novas regras devem seguir moldes semelhantes às restrições já aplicadas a bebidas alcoólicas e cigarros, e estão sendo desenhadas por técnicos do governo.
Além disso, Haddad destacou que o governo está focado em fechar o cerco contra fintechs que têm sido usadas como canais para movimentar apostas ilegais.
Relatório sobre apostas ilegais será entregue a Lula
“Depois dos seis meses em que o Estado passou a reunir essas informações, vamos levar os dados ao presidente e tratar o tema como uma questão grave de saúde pública. Precisamos discutir o modelo de publicidade, como já fazemos com bebida e cigarro. Precisamos decidir se vamos ou não diferenciar apostas esportivas dos jogos de azar em geral. E temos fintechs sendo usadas para alimentar essas apostas ilegais”, afirmou Haddad.
O ministro também informou que o Banco Central já vem recebendo dados sobre essas fintechs suspeitas e que a Polícia Federal será chamada a participar do processo.
“Estamos notificando o Banco Central sobre fintechs que podem estar operando para o crime organizado, para lavagem de dinheiro, ou até para algo pior. Há muitos pontos a serem investigados, e a Polícia Federal vai integrar esse esforço”, concluiu.