Premier League começa temporada 2026/27 sem bets no espaço principal das camisas
A temporada 2026/27 da Premier League começa nesta sexta-feira (21), marcada por uma mudança importante fora dos gramados: as casas de apostas deixaram de ocupar o espaço principal das camisas dos clubes da primeira divisão inglesa.
A medida é resultado de um acordo coletivo dos 20 clubes da Premier League, anunciado originalmente em 2023 e colocado em prática a partir do início da temporada 2026/27. O objetivo declarado foi reduzir a exposição dos torcedores à publicidade relacionada a apostas e tornar os acordos comerciais ligados ao futebol mais responsáveis.
Apesar da mudança, é importante destacar que não existe uma proibição geral às casas de apostas no futebol inglês. Os operadores continuam podendo aparecer em outros espaços comerciais, como mangas das camisas, uniformes de treinamento e determinadas propriedades de publicidade dos clubes, desde que respeitadas as regras aplicáveis.
O que mudou na Premier League em 2026/27?
A principal alteração está no chamado front-of-shirt sponsorship, ou seja, o patrocínio exibido na parte frontal das camisas utilizadas nas partidas.
Na temporada 2025/26, 11 dos 20 clubes da Premier League tinham empresas de apostas como patrocinadoras principais de seus uniformes. Isso representava 55% de todos os espaços frontais disponíveis na competição. Para 2026/27, o número caiu para zero.
A decisão foi tomada voluntariamente pelos clubes em 2023, após consultas envolvendo a própria Premier League, as equipes e o governo britânico. A liga se tornou a primeira grande competição esportiva do Reino Unido a adotar voluntariamente uma medida desse tipo.
O compromisso passou a fazer parte das regras da competição para a temporada 2026/27, consolidando a mudança que já havia sido anunciada três anos antes.
Por que a Premier League decidiu retirar as bets da frente das camisas?
A principal justificativa está relacionada à responsabilidade na publicidade de apostas.
A Premier League e outras entidades do futebol inglês estabeleceram um código de conduta para acordos comerciais envolvendo empresas de jogos de azar. Entre os princípios estão proteção do público, responsabilidade social, reinvestimento no futebol e preservação da integridade da competição.
A retirada das marcas da frente das camisas também busca diminuir a exposição de crianças e pessoas potencialmente vulneráveis aos riscos relacionados ao jogo.
A própria Premier League afirma que a medida faz parte de uma estratégia mais ampla de responsabilidade nas relações comerciais entre clubes e empresas de apostas.
As casas de apostas foram proibidas de patrocinar clubes?
Não completamente.
Esse é um ponto importante para entender a nova regra.
A medida restringe especificamente o patrocínio de apostas na parte frontal das camisas de jogo. Outros formatos de parceria continuam possíveis.
As empresas do setor ainda podem aparecer, por exemplo, em:
- mangas das camisas;
- uniformes de treinamento;
- placas e painéis publicitários;
- propriedades digitais;
- acordos comerciais oficiais com clubes.
A mudança, portanto, não representa o desaparecimento das casas de apostas da Premier League. O que terminou foi a presença dessas marcas no espaço comercial mais valorizado dos uniformes de jogo.
Bets continuam nas mangas das camisas
A temporada 2026/27 também mostra que os operadores encontraram outros espaços para manter sua presença no futebol inglês.
De acordo com levantamento publicado no início da temporada, três clubes da Premier League começam a campanha com empresas relacionadas a apostas como patrocinadoras das mangas. Além disso, outros formatos de parceria continuam permitidos.
Isso mostra que o mercado de apostas não desapareceu do futebol inglês. Ele apenas precisou adaptar sua estratégia de exposição.
Um exemplo importante é o Manchester United, que mantém uma parceria com a Betway no uniforme de treinamento, em um acordo estimado em cerca de £20 milhões por ano.
Quem substituiu as casas de apostas nas camisas?
A saída das bets abriu espaço para empresas de outros setores.
Segundo levantamento sobre os patrocinadores da temporada 2026/27, o setor financeiro passou a ser o principal segmento entre os patrocinadores frontais, com cinco clubes. Tecnologia e software e companhias aéreas aparecem com três clubes cada.
Entre os exemplos estão:
- Aston Villa: substituiu a Betano pela Visit Rwanda;
- Bournemouth: trocou a BJ88 pela Vitality;
- Brentford: substituiu a Hollywoodbets pela Indeed;
- Crystal Palace: trocou a NET88 pela empresa de inteligência artificial Temporal;
- Everton: substituiu a Stake pela CMC Markets;
- Fulham: deixou a SBOTOP para fechar com a empresa de tecnologia ClickHouse.
A mudança evidencia como o mercado de patrocínios da Premier League está se diversificando.
Empresas de tecnologia, inteligência artificial, fintechs, turismo, seguros, recrutamento e outros segmentos passaram a disputar o espaço que anteriormente era ocupado em grande parte pelas casas de apostas.
Impacto financeiro preocupa clubes menores
Embora a medida tenha sido apresentada como uma iniciativa de responsabilidade social, ela também trouxe consequências financeiras para alguns clubes.
O espaço frontal das camisas representa uma das propriedades comerciais mais valiosas do futebol. Antes da implementação da mudança, havia estimativas de que os contratos de patrocínio de apostas movimentavam dezenas de milhões de libras por temporada.
Um levantamento do The Guardian apontou que vários clubes tiveram dificuldades para encontrar novos patrocinadores para a temporada 2026/27, enquanto algumas equipes precisaram aceitar valores menores ou utilizar outros espaços comerciais para compensar a perda.
O impacto é especialmente relevante para clubes fora do grupo dos gigantes ingleses, que possuem contratos comerciais muito mais robustos.
Mercado de patrocínio fica mais diversificado
A saída das casas de apostas também provocou uma mudança significativa no perfil comercial da Premier League.
Na temporada 2025/26, as empresas de apostas apareciam na frente de 11 dos 20 clubes. Nenhum outro setor chegava perto dessa participação.
Em 2026/27, o cenário é completamente diferente. O setor financeiro lidera com cinco clubes, enquanto tecnologia e companhias aéreas aparecem com três cada.
Ou seja, a Premier League deixou de ter um mercado tão concentrado em um único segmento.
A Reuters, citando análise da Nielsen Sports, destacou justamente o avanço de empresas de tecnologia, fintechs e investidores institucionais sobre o espaço deixado pelas casas de apostas.
Mudança pode influenciar outros mercados
A decisão da Premier League também pode servir como referência para outras competições esportivas que discutem os limites da publicidade de apostas.
O futebol inglês já vinha adotando medidas de responsabilidade em relação aos acordos comerciais envolvendo jogos de azar. A partir de 2026/27, entretanto, a retirada das marcas da frente das camisas tornou essa política muito mais visível para os torcedores.
Ao mesmo tempo, o modelo adotado pela Premier League é diferente de uma proibição completa da publicidade de apostas. O setor continua presente em outras propriedades comerciais, o que permite aos clubes manter parte das receitas provenientes dessas empresas.
O que acontece agora com as casas de apostas?
Para as empresas de apostas, a nova realidade significa uma mudança na estratégia de marketing.
Em vez de depender exclusivamente do espaço frontal das camisas, os operadores podem concentrar investimentos em patrocínios de mangas, uniformes de treinamento, campanhas digitais, ativações com torcedores e parcerias oficiais com clubes.
A tendência já pode ser observada na temporada 2026/27. O número de marcas de apostas na frente das camisas caiu para zero, mas algumas continuam presentes em propriedades alternativas.
Dessa forma, a Premier League não encerrou a relação comercial com o mercado de apostas. O que mudou foi onde e de que maneira essas marcas podem aparecer.
Premier League começa uma nova era comercial
A temporada 2026/27 representa, portanto, um marco para o futebol inglês.
Pela primeira vez em muitos anos, nenhuma das 20 equipes da Premier League inicia a competição com uma casa de apostas estampada como patrocinadora principal na camisa de jogo. A mudança encerra um período em que as bets chegaram a ocupar 55% dos espaços frontais dos uniformes da competição.
Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia, finanças, turismo, aviação e outros segmentos começam a ocupar esse espaço.
Para os clubes, o desafio será encontrar novas fontes de receita sem comprometer o valor comercial de seus uniformes. Para as casas de apostas, a tendência é buscar novas formas de exposição dentro das regras.
A Premier League, por sua vez, começa uma nova temporada com uma identidade comercial mais diversificada — mas sem eliminar completamente a presença das apostas no futebol inglês.
Fontes: Premier League, Reuters, The Guardian, SportingPedia e Betting.co.uk.




